A necessidade de realizar o Projeto Megafone surgiu naturalmente, porém, até chegar aos 110 programas, foi – e é – um trabalho árduo que já tem seis anos. A Encine iniciou suas ações em 1999 com curso que se propunha a possibilitar que jovens de baixa renda pudessem fazer arte por meio do vídeo, fotografia e, com isso, refletir um pouco sobre a sua realidade. Ou seja, era apenas um curso teórico com um fim nele mesmo, pois tudo ainda era muito embrionário, o próprio VHS ainda era uma coisa para poucos.

A idéia então era ampliar a voz do jovem para além de sua comunidade, de sua escola, de sua casa. Daí o MEGAFONE! Então, em maio de 2002, propusemos a TVC (televisão pública do Ceará) que abrisse um horário na sua grade para que colocássemos um programa de 30 minutos sobre o mundo jovem e feito pelos jovens da Encine. A TVC carecia de material produzido no próprio estado, além disso, a gestão (na época o presidente era Paulo Ernesto Serpa) era sensível a mudanças de paradigmas e a idéia era bastante ousada e inédita nos seus moldes. Um programa com a cara moderna e uma linguagem informal, solta e leve era algo incomum e destoava completamente (e ainda destoa!) do formalismo e rigorosidade estética dos programas de TVs comerciais. Fizemos seis programas em 2002 e nos achamos vitoriosos com todos os desafios e problemas que enfrentamos. Quebrar paradigmas era mais difícil do que imaginávamos!